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DESTINO DO MÊS

AS AREIAS do MARROCOS, por Annelise Hachman

Foto 1  Foto 2

Pela primeira vez pisei no continente africano. O Marrocos é um país de contrastes, que merece ser visitado além das suas cidades mais famosas como Fés, Casablanca, Marrakech e Rabat. Nesse pequeno país é possível andar por lugares contrastantes, como regiões de neve, deserto e mar. E não só a geografia é diferente, mas também o seu povo e seus costumes. Todas as manhãs somos acordados com o chamado para a oração nas mesquitas, um som que nos coloca em algum lugar fora do tempo e do espaço, nos retirando da correria e da pressa do mundo ocidental. Pessoas interrompendo seu ritmo de trabalho e parando para rezar, alheias ao caos diário. O Marrocos mexe com os sentidos: sons, sabores e aromas nos convidando a abrir a alma e mergulhar em novas e provocantes sensações. Mas o que mais impressiona é o deserto. Brotando do chão, os Kasbahs, com a areia esculpindo cidades pelas mãos do homem. Passei alguns dias nessas dunas de areia que têm cores diferentes, dependendo da região: podem ser as tradicionais, amarelas, de filme; ou então dunas alaranjadas, completamente diferentes da expectativa que temos de um deserto.

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O deserto tem várias coisas que impressionam o viajante que vem para esses lados. Começando pela temperatura, pois estava frio nessa época, mesmo durante o dia. Sem falar nas noites, dormir em uma tenda bérbere é uma experiência de muito frio, mas de noite muito escura e com todas as estrelas do Universo no céu. Compensa. Outra visão inédita são as montanhas nevadas do Atlas, vistas de dentro do deserto. Neve e deserto sendo inesperadamente vistos no mesmo quadro. Duas tempestades de areia, e comigo no meio delas, deram o toque final nesses dias. Mas a magia mesmo, ficou por conta de duas experiências fascinantes: conhecer um oásis, e relembrar os filmes da "sessão da tarde" que via quando criança, e ver a explosão de milhões de flores, dentro do deserto, que só acontece duas semanas no ano, e eu estive lá! Um espetáculo completamente inesperado, milhões de flores, amarelas e roxas, na altura da cintura, entrando deserto adentro (no de dunas alaranjadas, para completar). Andar no meio daqueles campos floridos, brotando do chão seco, foi inexplicável. Alah foi generoso por essas bandas... E o oásis, com palmeiras e tamareiras brotando no meio do nada e refletindo na pouca água que dá vida à tudo isso, me obrigou a pensar que essa é uma das formas da criação nos dizer que sempre teremos uma maneira de sair de qualquer situação difícil, e, pode parecer miragem, mas saí de lá com essa certeza. Trouxe para Porto Alegre grandes lições do deserto da África. Vale ou não a pena conhecer o mundo?

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Annelise Hachman, Odontopediatra
Lugares que já visitei: Europa, Índia, Nepal, Patagônia, Estados Unidos, Aruba, Curaçao, Cancun, Austrália, Ilhas Maldivas, Nova Zelândia, Peru e Bolívia.
Lugares que pretendo visitar: Alaska, Canadá, Finlândia, Rússia...

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