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DESTINO DO MÊS
DAMASCO, por Beto Conte
Uma viagem pelos sentidos ao coração do Oriente Médio.

Nas minhas últimas férias selecionei um lugar especial para comemorar meu 100º país visitado. O posicionamento pró-soviético durante a guerra fria e o rígido regime de Hafez Assad, fazia da Síria um dos países do Oriente Médio mais secretos para mim. Seria a oportunidade de mergulhar em sua cultura árabe preservada, seu passado milenar e vivenciar o momento atual com o jovem governante Bashar buscando seu papel no futuro. Uma região de conflitos, tendo como vizinhos o Iraque invadido e Israel que tomou suas colinas de Golan.
O legado histórico da Síria é imensurável: A escrita Ugarit, na costa do país, utilizava há 3.500 anos o conceito de alfabeto fonético; as ruínas romanas de Palmira, Borsa e Apamea, lembram a importância de sua posição geográfica ligando África, Ásia e Europa; outra viagem ao tempo no castelo-fortaleza de Krac Chevalier da época das Cruzadas; Em resumo, todas as grandes civilizações desde os Sumérios até o Império Otomano haviam passado por aí. Meu destino principal era DAMASCO - capital do primeira dinastia árabe no momento da maior expansão islâmica, os Omaíades que aí estabeleceram sua capital de 650 a 750dC, controlando da Espanha à Índia.
Além de ser considerada uma das cidades mais antigas do mundo em contínua utilização há mais de 5 mil anos, DAMASCO permanece vibrante. Ao entrar nas ruelas de sua parte murada é muito fácil se deixar ficar. Como resistir um chá e uma boa conversa em um antiquário junto ao pórtico Romano, de frente a grande mesquita Omaíade? Ainda mais observando todo o movimento do baazar, com seus aromas e cores de açafrão, zafar, cardamomo, pimenta e café. Ao fundo as chamadas às preces por um harmonioso coro de 9 vozes. Uma viagem pelos sentidos ao tempo que Saladin, que derrotou os cruzados, ou de Lawrence, da Arábia, que a libertou do jugo Otomano.
O jantar deve ser apreciado em etapas, iniciando com a descoberta das "mezzes" do dia - entradas variadas sempre incluindo "hummus" (pasta de grão de bico) e kibbeh, e terminando vagarosamente fumando o "narguille" com tabaco aromatizado. Uma das noites fomos premiados com o acompanhamento da delicadeza de movimentos de um dervishe rodopiante - uma forma de meditação onde se entra em transe pela dança. Para relaxar nada melhor que a experiência do "hamman" - os famosos banhos turcos em um prédio de quase meio milênio, seguindo a tradição da seqüência de sauna, banho e massagem. Legal depois se hidratar em uma casa de chá nos pátios internos de prédios otomanos de outras eras. Faz parte do programa percorrer os "souqs" - labirinto de lojas comercializando temperos, ouro, tapetes, roupas e tudo mais. Um mundo masculino com as mulheres veladas e crianças sorridentes. Entre essas atividades, vale incitar ainda mais a curiosidade com os vários milênios de história no museu nacional, e o refinamento da arte islâmica no Azem Palace. Essa foi a Damasco que queria compartir com vocês - única.
